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Uma Promessa Antes Da Última Valsa — romance histórico grátisGrátis · Exclusiva

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Uma Promessa Antes Da Última Valsa

Uma gravadora de partituras precisa de uma oficina. Um cavalheiro desacreditado precisa de um lar. O acordo sensato dos dois não prevê o amor.

  • casamento por conveniência
  • Heroína Trabalhadora
  • Reputação Ferida
  • Slow Burn

🌶️🌶️ Cerca de 21 min de leitura · 4.781 palavras

Bath, 1818. Clara Wren sabe gravar uma valsa perfeita, mas não consegue convencer o proprietário a renovar o aluguel da oficina. Julian Ashcombe oferece um casamento de conveniência e espaço em sua casa malcuidada, desde que ela o ajude a receber uma patrona da música. Clara exige garantias práticas. Então um recibo escondido numa partitura antiga põe em dúvida tudo que a sociedade acredita sobre seu futuro marido — e tudo que ela acredita sobre o acordo.

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O Preço De Uma Sala

O aviso do proprietário estava sob um peso de papel em forma de cachorro dormindo. Clara Wren o pusera ali porque não podia se dar ao luxo de atirar algo pesado pela janela.

Seis semanas. Depois disso, o senhor Pike precisaria da sala para o sobrinho, que vendia chapéus. Pelo visto, Bath possuía música suficiente e chapéus de menos.

Ela apoiou uma chapa de cobre na almofada de couro e conduziu o buril pela haste de uma colcheia. A ferramenta obedecia. Aos vinte e sete anos, sabia convencer o metal, os impressores e os clientes que acreditavam ser possível copiar uma sonata para ontem. Nunca aprendera a convencer um homem que já recebia o aluguel.

A sineta da porta tremeu. Um cavalheiro alto entrou carregando um embrulho de seda verde desbotada. A chuva escurecia seus ombros; uma luva fora remendada com linha quase, mas não exatamente, da cor certa.

— Senhorita Wren? A senhora Bell disse que poderia salvar isto.

— De quê?

— De anos de umidade e das atenções de um camundongo com ambições musicais.

Ele desembrulhou uma partitura. Clara segurou as folhas antes que escorregassem para o balcão molhado. O visitante retirou a mão imediatamente, deixando espaço para que ela as arrumasse.

— Podem ser copiadas. Não sairá barato.

— Prefiro a verdade a um orçamento agradável.

Só então ela ergueu os olhos. Julian Ashcombe. Já o vira uma vez diante das Assembly Rooms, sozinho, enquanto dois cavalheiros descobriam um súbito interesse na calçada oposta. Três anos antes, um concerto beneficente organizado por ele terminara com músicos cobrando pagamentos atrasados. Pouco depois, ele deixara Bath. Clara conhecia a versão que corria pelas lojas: um filho mais novo, o dinheiro de subscrições desaparecido, uma partida inconveniente.

— Eram da minha tia — explicou. — Ela me deixou a casa e tudo que não conseguiu jogar fora. Lady Marlow se lembrava de ouvir estas peças lá. Talvez financie uma pequena série de concertos, se eu tornar a casa apresentável para recebê-la.

Clara contou as folhas danificadas.

— Quarenta páginas. Posso começar na semana que vem.

O olhar dele tocou o aviso antes que ela o virasse para baixo. Ele não comentou. A delicadeza a fez sentir a presença do papel mais do que uma pergunta teria feito.

Ela informou o preço. Ele aceitou sem pechinchar e deixou um sinal junto da partitura, contando moedas de verdade, em vez de oferecer a futura gratidão de alguém importante.

À porta, parou.

— A senhora Bell me disse que está procurando um local.

— A senhora Bell tem um extenso serviço de informações.

— Há uma sala com entrada pela rua na minha casa. Boa luz. Entrada independente. Terei prazer em mostrá-la.

— E o aluguel?

Ele respirou fundo.

— Isso é menos simples.

Ela entrelaçou as mãos, escondendo a tinta num dedo. Ele parecia tão constrangido quanto um homem prestes a pedir um casaco emprestado.

— Lady Marlow conhecia a casa da minha tia. Desconfia de planos e desconfia de mim. Preciso de um lar organizado, de alguém que entenda de música e de uma razão para ela acreditar que pretendo permanecer em Bath. Não posso pagar uma anfitriã com a posição necessária. A senhorita precisa de um lugar para trabalhar. Pensei se poderíamos considerar um casamento.

Lá fora, rodas de carroça batiam na pedra molhada. Clara ouviu cada volta.

— Confundiu uma oficina com uma agência matrimonial.

— É bem possível. Pode mandar que eu me retire.

Ele não sorriu para disfarçar o absurdo nem se aproximou. Isso a tranquilizou mais do que qualquer encanto teria conseguido.

— Vou conhecer a sala — disse. — À luz do dia. Com a senhora Bell.

O alívio dele apareceu apenas nos ombros que relaxaram.

— Amanhã às onze.

Depois que ele saiu, Clara moveu o cachorro adormecido. O aviso continuava exatamente o mesmo. Ao lado dele estavam um sinal pago, uma partitura danificada e a primeira pergunta em meses que admitia mais de uma resposta.

Condições À Luz Do Dia

A Casa Ashcombe ficava acima de Walcot, bonita à distância e bem menos convincente de perto. Uma veneziana pendia torta. A entrada cheirava a cinzas frias e cera de abelha, como se alguém houvesse combatido o abandono recentemente e perdido por pontos.

A senhora Finch, a governanta, recebeu Clara e a senhora Bell.

— Cuidado com o terceiro degrau. Ele tem opiniões.

— Já conheci o dono — respondeu a senhora Bell. — Espero sobreviver.

A sala voltada para a rua conquistou Clara antes que ela desejasse ser conquistada. Duas janelas altas recebiam o sol da manhã. Um antigo armário guardaria o papel longe da parede externa. Havia espaço para a bancada e para a pequena prensa que alugava da senhora Bell. Além de uma porta interna, uma passagem estreita conduzia à cozinha; os clientes poderiam entrar pela rua sem atravessar a casa.

Ela imaginou o buril junto à luz e, de propósito, imaginou Julian lhe negando uma chave.

— O casamento não faz com que meus ganhos sejam meus — disse quando se sentaram na sala de visitas. — Uma promessa durante o chá não resolve isso.

— Não — respondeu Julian. — Não resolve.

A expressão da senhora Bell se abrandou um pouco. Viúva e dona de uma loja de música, desconfiava mais de disparates agradáveis do que de oposição declarada.

Clara expôs o que pensara durante a noite. A senhora Bell poderia assumir um contrato longo para a sala, pagando um aluguel modesto e deixando Clara usá-la. Novas encomendas poderiam passar pela loja; Clara receberia um pagamento combinado por seu trabalho. Suas ferramentas e economias também exigiam orientação, antes do casamento, não depois.

— É um acordo entre pessoas — disse Clara. — Sei que não me liberta de todas as leis ou de todas as desgraças. Mas não vou deixar a chave e o pão inteiramente numa única mão.

Julian ouviu sem interromper. Então disse:

— Meu advogado precisa nos dizer o que de fato é possível. O seu deve examinar o trabalho dele.

— A senhora Bell conhece alguém — respondeu Clara.

— A senhora Bell geralmente conhece — confirmou a viúva.

Discutiram despesas, o salário da senhora Finch e os quartos. Julian esperaria a presença dela na noite de visita da patrona e ajuda com os programas. Clara continuaria seu ofício. Nenhum dos dois prometia afeto. Teriam três semanas para desistir enquanto os proclamas fossem lidos, e nenhum anúncio apresentaria uma data de casamento como certa antes que os arranjos estivessem resolvidos.

— E se Lady Marlow disser não? — perguntou Clara.

— Então encontrarei outra renda. Você não perde sua sala.

Era a resposta de que ela precisava. Ele pareceu inesperadamente cansado ao pronunciá-la.

A senhora Finch trouxe chá em quatro xícaras diferentes. Enquanto os outros examinavam uma proposta de aluguel, Clara abriu a antiga partitura que Julian deixara numa mesa lateral. Uma dobra rígida danificara a lombada. Ela retirou cuidadosamente uma tira de papel, esperando um ninho de camundongo ou uma lista de compras abandonada.

Era uma fatura do conserto do tablado no concerto beneficente de três anos antes. Sobre ela, alguém escrevera em tinta escura: Pago integralmente, com dinheiro das subscrições, recebido em nome do senhor Vale por T. Pritchard.

Embaixo estavam o nome de Julian, a data e uma quantia suficiente para explicar boa parte do dinheiro desaparecido.

Ela segurou o papel pela borda limpa.

— Quem é o senhor Vale?

O rosto de Julian perdeu a cor.

— O tesoureiro.

— E o senhor Pritchard?

— O carpinteiro. — Ele fitou o recibo. — Procurei isso até não suportar mais procurar.

Clara ouviu o relógio se preparando para bater onze. Aquilo provava um pagamento, não a falsidade de todos os boatos. Mas era mais que fofoca, e alguém assinara pelo dinheiro.

— Então — disse — é melhor perguntarmos ao carpinteiro do que ele se lembra.

Espere — O recibo prova que Julian entregou o dinheiro do concerto. Por que Bath ainda o chama de ladrão?

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