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Onde o Verão Permanece — Romance de cowboy grátisGrátis · Exclusiva

Romance de cowboy grátis

Onde o Verão Permanece

Ele precisa de uma fivela consertada. Ela precisa que seu trabalho continue sendo seu.

Romance M/F adulto com um cowboy pai solo, uma heroína habilidosa e um casal original de história completa.

Beijos sensuais e intimidade adulta implícita de porta fechada; sem detalhes sexuais gráficos.

  • Pai Solo
  • Cidade pequena
  • Ranzinza/Raio de Sol
  • heroína habilidosa

🌶️ Cerca de 90 min de leitura · 20.709 palavras

Ada Mercer voltou a Bitter Creek para uma semana de inventário na loja. O reservado rancheiro Jonah Bell chega com um cabresto de pônei quebrado, uma filha sincera e uma feira que talvez não tenha um lugar seguro para abrir. Enquanto a chuva ameaça suas ferramentas e um emprego remunerado a espera em Helena, Ada precisa escolher um futuro que lhe pertença — e Jonah precisa aprender que pedir que ela fique começa por deixá-la escolher.

Livros de Alisson Bento

O raio de sol do cowboy

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A Fivela que Faltava

Ada

A fivela de latão pousou no balcão de Ada Mercer antes que ela encontrasse o interruptor.

Ficou de lado entre seis anos de envelopes comerciais fechados, a lingueta partida bem na articulação. A mão de um homem permaneceu ao lado dela. Juntas largas, uma meia-lua bem definida de tinta antiga na unha do polegar, nenhuma aliança. Ada passou os olhos do estrago para o homem a quem pertencia a mão.

“Bom dia para você também.”

“Consegue consertar?”

“Posso dizer depois que abrir as cortinas.”

Ele olhou para a porta de vidro como se a luz do dia já devesse ter resolvido o problema. Lá fora, o fim de agosto cobrira Bitter Creek com uma camada pálida de poeira. Hortelã crescia numa rachadura junto ao degrau. O pequeno toldo de metal estalava acima da entrada sempre que o vento mudava, e fazia exatamente quatro minutos que Ada entrara. Sua mala ainda estava onde a abandonara, ao lado do suporte de guias.

“Desculpe”, disse o homem. “A porta estava aberta.”

“Foi de propósito. Você é meu primeiro cliente.” Ela puxou o cordão da cortina. A luz do sol revelou a fivela torta, os recibos e a menina parcialmente escondida atrás da perna dele. “Talvez meus primeiros dois.”

A menina a avaliou. Usava tênis roxos sob a calça jeans e segurava um capacete de equitação contra a barriga. Uma tira de fita prateada cobria uma rachadura no adesivo decorativo do capacete, e não na estrutura. Ada apreciou a distinção.

“Não vou comprar nada”, disse a menina. “O dinheiro está com meu pai.”

“Um bom acordo.” Ada tirou a mala do caminho. “Sou Ada. O que quebrou?”

“A fivela”, disse o homem.

A menina suspirou com a paciência de quem estava acostumada a adultos tecnicamente corretos e nada úteis. “Do cabresto do Pippin. Meu pai disse que a gente podia comprar outro, mas este fica certinho nas orelhas dele.”

Ada pegou o cabresto da outra mão do homem. Couro marrom, cuidadosamente limpo, macio na tira que passava por trás das orelhas. A fivela que quebrara era uma substituta barata numa peça de qualidade superior. Ela via os furos da costura antiga onde outro profissional a encaixara à força. Nada daquela quebra era culpa do pônei nem da menina.

“O que acha que devemos fazer?”, perguntou à criança.

“Pôr uma fivela boa.”

“Exatamente. Vai ter que deixar o cabresto comigo. Seu pônei pode usar um reserva em bom estado até amanhã.”

“Temos um”, disse o homem depressa. “Ela também não monta de cabresto. Não trouxe minha filha para sugerir…”

“Não estava acusando você de nada.” Ada virou o couro para a luz. “Preciso verificar esta costura antes de passar um orçamento. Depois você decide.”

Ele tirou a mão do balcão. Sem ela ali, Ada pôde ver como o verniz antigo escurecera em volta de uma centena de pequenos cortes. Sua tia Ruth certa vez brincara que o balcão guardava uma história de Montana mais confiável que qualquer vitrine de museu. Ada rira na época. Agora, um museu em Helena avaliava sua candidatura, e havia contas debaixo do balcão de Ruth.

Ela encontrou o estojo enrolável de ferramentas na mala, estendeu-o e desfez as amarras com rebites de cobre. O homem observou enquanto ela escolhia uma sovela. A filha observava as próprias ferramentas.

“São suas?”

“Sim.”

“Você fez?”

“O estojo. Alguns dos cabos. Minha tia me deu as facas quando terminei meu aprendizado.”

“Ruth”, disse o homem.

“Você a conhece?”

“Todo mundo conhece Ruth. Sou Jonah Bell. Esta é Lily.”

“Tenho oito anos”, acrescentou Lily. “Não seis.”

Ada não perguntara, mas suspeitou que a correção tivesse sido necessária em outro lugar. Enfiou o dedo mínimo na alça ao lado da fivela. O couro resistiu. Era preciso refazer uma polegada e meia de costura; o corpo do cabresto estava bom. Deu um preço que incluía ferragens e mão de obra.

As sobrancelhas de Jonah se moveram.

Ada manteve as mãos imóveis. “Se não servir para você, tem uma loja de ração do outro lado da cidade.”

“Sei onde fica a loja de ração.”

“Então estamos ambos informados.”

Lily fez um som que talvez virasse risada se o pai não estivesse ali. Jonah olhou a fivela e depois voltou a olhar para Ada.

“Eu estava pensando que você cobra pouco demais.”

Por um instante, ela só ouviu o toldo. “É um conserto pequeno.”

“Mesmo assim, é seu tempo.” Ele pegou a carteira. “Metade agora?”

Ela escreveu um recibo antes que a surpresa se tornasse uma gratidão que ele não comprara. Ele pagou o sinal em dinheiro. Lily ficou na ponta dos pés enquanto Ada escrevia o nome de Pippin num cartão e o prendia ao cabresto com barbante.

“Amanhã à tarde”, disse Ada. “Depois das três.”

“A gente pode mostrar como ficou nele?”, perguntou Lily.

Jonah ajeitou o capacete debaixo do braço. “Ada tem trabalho, Lil.”

“Tenho mesmo”, concordou Ada. “E ver como fica é parte dele. Se seu pai quiser trazer de volta depois de experimentar, pode me dizer o que precisa ajustar.”

Os ombros da menina relaxaram. Nenhum convite fora prometido, nenhuma decepção escondida num talvez animado. Ada lembrava de querer que os adultos usassem palavras que significassem o que diziam. Lembrava também de já ter idade para perceber quando não era assim.

À porta, Jonah parou. “Vai reabrir?”

“Estou fazendo o inventário. Ruth está decidindo o que fazer com a loja.”

“Ela está bem?”

“Se recuperando da cirurgia no joelho na casa da minha mãe. Discutindo com a fisioterapeuta, o que, pelo que me disseram, é bom sinal.”

“Parece ela.” A boca dele mudou pela primeira vez, um pequeno movimento que de repente fez Ada reparar em seu formato. “A feira é sábado. Perdemos a pessoa que ia verificar os arreios das demonstrações. Trabalho pago. Posso dar seu número ao Cal.”

Lá estava: a abertura que costumava virar uma expectativa. Ada viera contar o estoque, fechar as contas e ficar fora da discussão entre o orgulho da tia e o saldo bancário dela. Não viera ser indispensável de graça.

“Dê meu número comercial. Ele pode perguntar.”

“Só quis dizer isso.”

Jonah segurou a porta para a filha. Pelo vidro, Ada o viu esperar enquanto Lily passava por cima da hortelã em vez de pisar nela. Ele não a apressou. Depois pôs o capacete dela com cuidado no banco de trás da caminhonete, longe do peso dos sacos de ração.

Ada pegou a fivela danificada. Já o subestimara uma vez. Melhor cobrar de si mesma por aquilo, e não dele.

Ruth atendeu ao quinto toque, sem fôlego e irritada.

“Se está ligando para perguntar se fiz os exercícios, sua mãe chegou antes de você.”

“Estou ligando para perguntar onde guarda as agulhas número dois para costurar arreios.”

“Gaveta da esquerda. Debaixo das faturas.”

“Tem faturas em todas as gavetas.”

“Então comece pela esquerda.”

Ada pôs o telefone no viva-voz e abriu a gaveta mais próxima da janela. Agulhas. Três tamanhos, cada um num envelope identificado pela letra inclinada de Ruth. Ao lado havia um molde de papel que Ada recortara aos dezessete anos, a borda de um girassol complicado demais para virar um enfeite de sela prático.

“Você guardou meu desastre.”

“Você tinha orgulho dele.”

“As pétalas enganchavam em tudo.”

“Você aprendeu.” Algo estalou do outro lado da ligação, provavelmente a tampa do organizador de comprimidos que Ruth detestava. “Jonah foi aí?”

Ada olhou o cabresto. “Você o mandou?”

“Ele perguntou se alguém abriria esta semana. Dei informações. Não acrescente bancar a casamenteira à minha lista de pecados. Estou ocupada aprendendo a dobrar a perna.”

“Ele trouxe um conserto.”

“Bom cliente. Paga na retirada. Não acha que saber consertar cercas é saber fazer selas.”

“Tem alguma coisa que queria que eu fizesse antes do inventário?”

O silêncio de Ruth durou o suficiente para Ada parar de separar as agulhas.

“Me diga a verdade sobre o lugar”, disse a tia. “O que vende. O que não vende. Se o telhado está pior do que lembro. Sua mãe quer que eu me aposente com elegância. Eu me contentaria em me aposentar sem três discussões e uma goteira.”

Ada se apoiou na bancada. A loja cheirava a couro seco e às balas de hortelã-pimenta que Ruth guardava numa lata. Na parede acima, o quadrado onde antes houvera um calendário era mais claro que a pintura ao redor. Tudo continuara envelhecendo enquanto Ada aprendia a fazer coisas antigas durarem.

“Se der para funcionar com um horário reduzido, você gostaria?”

“Gostaria de ver números. Um negócio não vive das belas lembranças que você tem dele.”

“E se eu quisesse propor alguma coisa?”

“Então proponha. Não me resgate, Ada. Tenho aposentadoria, uma casa e uma irmã que vive tentando me dar legumes cozidos. Não sou uma donzela em perigo.”

Ada riu. “Ninguém confundiu você com uma.”

“Tem gente que confunde mancar com mudança de personalidade.”

Combinaram três prateleiras para contar, uma lista dos pertences de clientes a manter separados do estoque e o fato de que nada seria vendido sem a aprovação de Ruth. Era trabalho que Ada entendia. Sem promessas sentimentais. Sem enfiar às escondidas a independência da tia numa caixa de papelão.

Depois da ligação, ela encontrou o livro de clientes. A maioria dos registros recentes era de coisas pequenas: um passador substituído, uma tira encurtada, duas avaliações de selas. Ao lado de uma cobrança, Ruth escrevera Pago com ovos, depois riscara o preço e registrara corretamente o valor em dinheiro logo abaixo. Ada sorriu e anotou que precisava perguntar sobre aquilo. Afeto era admirável. Contas mal explicadas custavam dinheiro.

Ao meio-dia, ela já abrira as janelas laterais e encontrara um ventilador que fazia barulho de helicóptero pensando em se aposentar. Os ombros estavam rígidos da viagem de carro. Comeu um sanduíche de queijo no degrau dos fundos e ouviu uma caminhonete passar, um cachorro reclamar e alguém gritar do outro lado do beco sobre uma pá desaparecida.

Helena não lhe oferecera nenhum daqueles sons durante a entrevista. Oferecera uma oficina climatizada, salário regular e seis meses cuidando de uma coleção de malas de viagem de couro que mereciam um armazenamento melhor que o recebido. Ela queria o trabalho. Também queria aquela bancada sob as mãos. Querer as duas coisas parecia um fato útil, embora ainda não tivesse ideia do que fazer com ele.

Um homem com um crachá laranja de voluntário apareceu enquanto ela lavava a caneca.

“Cal Dorsey. Jonah disse que você talvez tivesse interesse.”

“Ele disse que você podia perguntar.”

Cal abriu um sorriso. “Foi o que me disse que você diria.”

Sentaram-se em lados opostos do balcão com a programação da feira entre eles. Cal queria verificar os arreios das demonstrações dos jovens, montar uma mesa de consertos para os visitantes e ter alguém que explicasse por que uma sela barata podia ser um erro caro. Ada perguntou quantos animais participariam das demonstrações, de quem eram os equipamentos e se alguém esperava que um conserto no local tornasse arreios inseguros utilizáveis na mesma hora.

“Não”, disse Cal. “Se disser que tem que sair de uso, sai.”

“Ponha isso por escrito.”

Ele pôs. Ela limitou a mesa de consertos a avaliações e pequenos reparos não estruturais, estabeleceu um teto para materiais e riscou uma linha aberta sobre auxílio adicional. Cal observou a caneta dela sem se ofender.

“Faz isso sempre?”

“Ler com o que estou concordando? Sempre que possível.”

“Ruth só costumava dizer que me acertaria com um sapato se eu a fizesse trabalhar demais.”

“Estou experimentando um sistema de papel.”

Quando ele foi embora, ela tinha um contrato remunerado de uma semana e um motivo para tirar da mala seu bom avental de trabalho. Era azul, quase cinza nas amarras de tão desbotado. Seu ex-companheiro certa vez comprara um branco bonito para uma foto de artesanato e ficara magoado quando ela se recusou a usá-lo na bancada. Ele tinha boas intenções, dissera a si mesma por tempo demais. Mas cada sugestão tornava o trabalho mais limpo, menor, mais fácil de deixar de lado quando ele queria sua atenção.

Amarrou o avental velho na cintura. O bolso guardava um lápis apontado até quase acabar. Ali, ao menos, podia usar aquela parte de si mesma.

Jonah voltou às cinco com uma sacola de ferragens e sem a filha.

“Lily está na casa da avó para jantar”, disse, aparentemente concluindo que o olhar de Ada para a porta pedia explicação. “Encontrei isto no armário de arreios. Ruth encomendou para mim no ano passado. Talvez poupe você de esperar os materiais.”

Ada esvaziou a sacola sobre um pano. Fivelas de latão maciço, do tamanho certo, ainda embaladas. “Estas servem. São suas. Vou descontar o material.”

“Pode deixar. Vai precisar de linha.”

“Incluí a linha no orçamento.”

“Então estou complicando.”

“Um pouco.”

Ele pôs o chapéu no balcão, percebeu a peça de couro limpa ali e mudou o chapéu para o joelho. Os dedos de Ada apertaram a sovela. Uma consideração tão pequena. Era ridículo que a atingisse daquela forma.

“Cal veio”, disse ela.

“Tentou deixar você encarregada do estacionamento?”

“Tentou deixar o auxílio indefinido.”

“É assim que começa.”

Ela riu, e ele a olhou como se o som tivesse interrompido algo que já queria parar de fazer. A loja ficara mais suave com o sol do fim do dia. Um pouco de poeira dourada flutuava acima do balcão. Lá fora, um adolescente passou carregando duas varas de pesca com o cuidado solene de um homem que transportava algo insubstituível.

“Posso trazer os arreios das demonstrações amanhã”, disse Jonah. “Ou você pode ir vê-los no rancho. Cal disse que pagaria o tempo de deslocamento.”

Ada pensou nas horas que tinha, no estoque que não contara, no jeito como Jonah perguntara sem fazer a resposta parecer predeterminada.

“À tarde. Não vou avaliar como um equipamento fica no animal sem o dono presente, e não vou me responsabilizar por nada que não tenha visto de fato.”

“Vou estar lá.”

As palavras eram comuns. A voz dele, não. Ada baixou os olhos antes de dar a uma simples combinação o peso de outra coisa.

Ele escreveu as instruções no verso da sacola de ferragens. O rancho Bell ficava fora da cidade, a leste pela estrada do riacho, depois à direita num tanque de água baixo e branco. Sem atalhos ambíguos. Quando lhe entregou a sacola, o dedo dele roçou a parte interna do pulso dela. Nenhum dos dois se moveu pelo breve tempo de uma respiração.

“Você tem uma placa?”, perguntou.

Ela seguiu o olhar dele até o cartão em branco preso com fita do lado de dentro da janela. “Não decidi o que escrever.”

“Seu nome seria um começo.”

“O negócio é da Ruth.”

“Quem está fazendo o trabalho desta semana é você.”

Depois que ele saiu, Ada parou diante do cartão com um marcador preto grosso. Escreveu Avaliação de consertos com hora marcada. Embaixo acrescentou Ada Mercer, depois o número comercial. As letras pareciam menos refinadas que o papel timbrado do museu na tela do telefone, menos permanentes que o letreiro pintado de Ruth acima do toldo. Pareciam algo que ela escolhera.

Virou o cartão, apertou bem a fita no lugar e voltou à bancada. A fivela estava pronta ao lado do cabresto. Podia terminar a costura naquela noite, deixar assentar e verificar pela manhã. Havia uma embalagem de sanduíche para jogar fora, uma mala para levar escada acima até o pequeno apartamento, um inventário inteiro à espera para dizer se sua afeição fazia sentido econômico.

Ela acendeu a luminária da bancada. Além do círculo de luz, o entardecer começou a tomar conta da loja. O trabalho não parecia menor porque alguém talvez quisesse sua companhia depois que terminasse.

Por uma semana, ela poria seu nome na porta.

Uma Medida Justa

Jonah

Jonah pusera pão no forno antes de lembrar que Ada viria.

Olhou a massa pelo vidro, depois a farinha na camisa verde. Não havia motivo para trocar de roupa. Fazia pão duas vezes por semana porque Lily gostava de cortar a primeira fatia e porque os pães comprados ficavam duros antes que os dois os terminassem. Uma mulher vindo examinar arreios não transformava pão em cortejo. Mesmo assim, limpou as mãos.

Falara com Ada naquela manhã. Ela terminara a costura cedo, verificara depois do café e oferecera juntar a entrega à visita ao rancho, à uma. Ele concordara, depois anotara o novo horário no calendário da cozinha. Caso contrário, ainda a estaria esperando depois das três, com um pão frio e nenhuma explicação útil.

“Esse é o prato bom?”, perguntou Lily da porta da cozinha.

“É um prato.”

“Tem flores.”

“Flores servem para segurar sanduíches tão bem quanto qualquer outra coisa.”

Ela aceitou com reservas visíveis e foi procurar as botas. Jonah a ouviu parar no armário, pousar alguma coisa e voltar. Segurava a fotografia que costumava ficar ao lado dos livros de receita: Beth de jaqueta de chuva, com Lily aos dois anos dormindo apoiada em seu ombro.

“A vovó pode ficar com uma cópia desta?”

“Claro. Vamos digitalizar.”

“Ela disse que a impressora dela deixa as pessoas laranja.”

“A gente manda fazer na cidade.”

Lily devolveu o porta-retrato ao lugar. Fazia perguntas assim sem aviso, às vezes depois de um dia em que o nome da mãe nem fora mencionado. Jonah estava aprendendo a responder ao que ela perguntava, em vez de a tudo que temia estar por trás. Beth morrera havia três anos. Em algumas manhãs, o número parecia impossível; em outras, ele precisava se esforçar para lembrar a aspereza exata da risada dela. Parara de se castigar pelo segundo tipo. Na maior parte do tempo.

O carro de Ada entrou no pátio à uma, devagar sobre as ondulações do cascalho. Ele desceu os degraus antes que o cachorro decidisse que a visita precisava de um comitê. Ada saiu de jeans, o avental azul dobrado sobre uma bolsa, o cabelo numa trança que começava a se soltar acima de uma orelha. Parou para deixar o velho cão boiadeiro cheirar sua bota.

“Esse é Moth”, disse Jonah. “Vai esperar referências de caráter.”

“Ele escreve as próprias?”

“Geralmente com patas enlameadas.”

Ela deixou Moth terminar, depois tirou o cabresto consertado de um saco de pano. Jonah pegou a carteira. Ela esperou enquanto ele pagava o restante e lhe deu um recibo que mostrava claramente o desconto das ferragens.

“Você descontou.”

“Você forneceu.”

“Não estava pedindo…”

“Eu sei. Agora nenhum dos dois deve um favor misterioso ao outro.”

Ele guardou o recibo na gaveta da cozinha, de onde seguiria para a conta certa naquela noite. Ada o observou guardar. Ele não soube dizer se ela aprovava. Importava mais do que seria razoável.

Lily apareceu carregando o capacete e o cabresto reserva em bom estado. “A gente deixou este no gancho, não no Pippin. Meu pai disse que você queria ver ele.”

“Se ele se sentir à vontade sendo admirado.”

“Acha que é seu trabalho principal.”

Foram ao pequeno piquete ao lado do celeiro. O próprio Jonah pegou Pippin e manteve a guia na mão enquanto Ada verificava a tira consertada na cabeça do pônei. Lily ficou fora da cerca até Jonah fazer um sinal para que entrasse. Ele percebeu Ada observando a troca sem transformá-la num elogio ao seu jeito de criar a filha. Estava cansado de ser parabenizado por coisas que simplesmente se esperava que as mães fizessem.

Ada passou dois dedos sob a tira atrás das orelhas. “Bom. Sem pressão aqui. Você tinha razão em querer ficar com ele.”

O queixo de Lily se ergueu. “Ele não gosta daquele duro.”

“Então vai ficar feliz porque este não estava gasto demais.”

“Posso conduzir ele?”

Jonah entregou a corda depois de verificar a porteira. “Leve até o cone. Estou do seu lado.”

Lily deu três passos bem deliberados, parou para deixar Pippin investigar uma touceira de capim e lhe disse numa voz tranquila que o almoço acabara. O pônei ergueu a cabeça. Ada mordeu o lábio para esconder um sorriso. Jonah gostou dela por escondê-lo. Lily estava se esforçando numa coisa que merecia ser levada a sério, mesmo quando o pônei fornecia a comédia.

No cone, Lily o virou, mantendo um pequeno espaço entre ela e o ombro dele. Perdeu aquele espaço na volta, e Jonah pediu baixo que parasse. Recomeçaram na posição certa. Ninguém apressou nada. Quando chegou outra vez à porteira, ela olhou para Ada.

“Você consertou.”

“Seu pai verificou e você testou como ficou. É uma equipe útil.”

Jonah guardou Pippin antes de entrarem no quarto de arreios. Havia quatro selas para as demonstrações, duas cabeçadas, uma caixa de escovas de trato emprestadas e um banquinho que balançava sempre que alguém respirava perto. Em vez dele, ofereceu o banco a Ada.

“Vou ficar de pé na primeira parte”, disse ela.

Vinte minutos depois, enquanto testava uma correia de cilha e registrava seu estado, ela estendeu a mão para trás em busca do banquinho, sentiu-o inclinar e desistiu. Jonah esperou que ela passasse à sela seguinte, depois levou o banquinho para a porta. Uma perna se soltara do encaixe. Foi buscar cola e um grampo na oficina.

“Amanhã vai estar firme”, disse. “Tem uma cadeira no depósito de ração, se quiser agora.”

Ela olhou do grampo para o rosto dele. “Obrigada. A cadeira ajudaria.”

Ele a trouxe sem comentar há quanto tempo Ada estava em pé. Ela sentou, esticou um tornozelo sob a bancada e voltou a escrever. Sua letra era pequena e sem enfeites. Pôs uma etiqueta vermelha numa cilha e um bilhete amarelo numa sela que precisava de uma manta diferente, depois o chamou para explicar a distinção.

A etiqueta vermelha significava que a peça ficava fora de uso. Sem discussão. O bilhete amarelo significava uma questão de ajuste a resolver com a pessoa adulta que montaria antes da demonstração. Ela o fez repetir a primeira instrução, não porque ele fosse burro, mas porque aquele limite importava.

“Prefiro perder uma demonstração”, disse ele, “a pôr alguém em cima de algo duvidoso.”

“Ótimo. Cal também concordou com isso.”

“Cal concorda com muita coisa. Aí chega o sábado.”

“Ele tem minha assinatura debaixo da dele. O sábado sabe ler.”

Jonah riu antes de decidir se devia. Ada ergueu os olhos e, por um segundo, o lugar pareceu conter só o prazer de tê-la surpreendido.

Comeram nos degraus dos fundos porque Lily pusera ali o prato florido e declarara a cozinha quente demais. Ela deu a Ada a ponta do pão como se lhe conferisse um cargo cerimonial.

“É a parte favorita do meu pai”, explicou Lily. “Ele diz que as pessoas devem ganhar a parte boa quando vêm visitar.”

“Eu disse que as visitas podem escolher.” Jonah passou a manteiga. “Você me promoveu a uma filosofia.”

Ada partiu a casca ao meio. “Podemos dividir a parte boa.”

Ele pegou o pedaço que ela oferecia. O polegar dela tinha uma cicatriz antiga e clara na beirada da unha. Quis perguntar como a fizera, depois se perguntou quando fora a última vez que quisera saber um detalhe sobre uma mulher só porque pertencia a ela.

Lily lhes deu um relato completo da organização das fitas de premiação da feira. Inscrevera um desenho na exposição infantil, não na competição de equitação. Queria deixar a distinção clara porque o desenho podia ganhar um prêmio, enquanto a demonstração do pônei era um trabalho que ela e Pippin fariam para as crianças menores.

“O pagamento é poder comer dois biscoitos”, disse Jonah.

“Isso era por ajudar a guardar os cones.”

“Erro meu.”

Ada perguntou o que Lily desenhara. Um rancho, pelo visto, embora não exatamente aquele. O céu exigira dois tipos de giz de cera azul. Lily explicou a dificuldade de conseguir um azul que não fosse infantil nem quase preto. Jonah ouvira a história no café da manhã, mas Ada escutou como se um problema de cor merecesse consideração.

Quando Lily correu para dentro em busca do desenho, Ada dobrou o guardanapo em volta das migalhas no colo. “Ela sabe bem o que lhe pertence.”

“Às vezes até dói.”

“Boa habilidade para ter antes que as pessoas comecem a explicar o que ela deve querer.”

Ele virou o pão na mão. “Você parece ter experiência.”

“Tive um companheiro que achava que meu trabalho cabia numa cesta bonita. Tem gente que chamaria isto de progresso.” Ela indicou o quarto de arreios com a cabeça. “Cadeiras de verdade. Quantidades industriais de poeira.”

“Ex-companheiro?”

A pergunta saiu depressa demais. A boca de Ada se curvou, mas ela não o fez sofrer por aquilo.

“Muito ex. A cesta era um sintoma, não a causa.”

Ele assentiu. Podia ter dito que não estava oferecendo uma cesta. Teria sido uma coisa absurda de dizer. Oferecia mais duas horas com selas velhas e uma viagem de volta à cidade, e só uma dessas coisas cabia a ele oferecer.

Lily voltou com uma folha grande o bastante para exigir as duas mãos. Segurou-a acima dos joelhos dos dois enquanto Ada admirava os diferentes azuis. Jonah viu a filha observar de perto o rosto de Ada, procurando a aprovação açucarada que os adultos às vezes davam sem olhar. O que quer que tivesse encontrado a satisfez. Apoiou-se no ombro de Ada para apontar o cachorro.

O contato foi breve. Ada ficou imóvel, depois se moveu naturalmente quando Lily se afastou. Não tentara tomar posse do momento. Jonah se viu respirando com mais facilidade.

Cal chegou durante a arrumação, carregando uma folha dobrada e a expressão de um homem tentando adiar uma frase ruim. Jonah se levantou antes que o organizador alcançasse os degraus.

“O que aconteceu?”

“Nada ainda.” Cal desdobrou a folha. “A equipe da estrada verificou o bueiro do riacho esta manhã. Há erosão na base da margem do lado do piquete da feira. O inspetor quer uma vistoria no local amanhã. Até lá, nada de preparar o acesso do público ao longo daquela margem.”

Jonah leu o aviso duas vezes. O piquete da feira pertencia a um vizinho que o emprestava todo ano. Era conveniente, plano e perto o bastante da estrada para os vendedores de comida. O riacho corria atrás. Haviam tido uma cheia na primavera, mas agosto fora seco.

“Até onde vai a área preocupante?”

“É para isso que serve a vistoria.”

“Podemos levar a entrada para um ponto mais alto.”

“Talvez. Não mande mudar nada de lugar ainda.”

Ada desceu um degrau. “Isso muda o local de sábado?”

“É possível”, disse Cal. “Estou avisando às pessoas que precisam saber antes que os boatos façam isso por mim.”

Jonah dobrou o papel no vinco original. Podia medir o piquete naquela noite. Ligar para um dos homens que tinham painéis de cerca portáteis. Planejar uma segunda entrada antes que o inspetor chegasse. Era um problema administrável se todos lhe dessem espaço para administrá-lo.

“Vou lá depois do jantar.”

A expressão de Ada ficou mais atenta. “Você tem permissão para entrar na área afetada?”

“Posso olhar da estrada.”

“Então diga isso. Lily está ouvindo.”

Ele olhou para trás. A filha estava à porta com o desenho apertado contra o peito. Não quisera dizer nada perigoso. Ela ouvira o pai propor ir em direção a algo que preocupava os adultos.

“Da estrada”, disse à filha. “E primeiro vou ligar para o número do aviso. Olhar não faz de mim um inspetor.”

Lily assentiu, não muito convencida. Jonah sentiu um calor de constrangimento, seguido de algo mais útil. Ada não o diminuíra. Ajudara-o a ser claro.

Cal lhes deixou o horário da vistoria. Ada verificou o contrato, depois perguntou se planejar a mudança da mesa de consertos estava incluído nas horas pagas. Jonah começou a dizer que ela não precisava ir.

Ela ergueu uma sobrancelha.

Ele mudou de rumo. “Eu gostaria que você fosse. Cal deve confirmar as horas.”

“Obrigada. Posso avaliar o espaço de que preciso. Não posso avaliar a margem de um riacho.”

“Nem eu.”

Dizer aquilo lhe custou menos do que esperava.

Depois que Ada foi embora de carro, Jonah ligou para o escritório do inspetor. Deixou uma mensagem precisa, falou dez minutos depois com um funcionário que retornava a ligação e soube que a preocupação incluía o terreno além da borda visível. A instrução era manter o público afastado até a inspeção, não improvisar um caminho que parecesse mais seguro. Anotou aquilo e ligou para Cal, transmitindo as palavras exatas.

Lily estava à mesa colorindo uma segunda versão do céu. Ele serviu sopa, fatiou o restante do pão e esperou que ela decidisse se a conversa que vinha guardando desde o início da noite podia sair.

“Ada não vai abrir a loja da Ruth para sempre”, disse ela por fim.

“Não. Está ajudando esta semana.”

“Mas ela gosta.”

“As pessoas podem gostar de uma coisa e ainda ter outro trabalho.”

“Você gosta dela?”

Ele pousou a concha antes de responder. “Sim.”

“Eu também. Ela não disse que meu cavalo parecia um cachorro.”

“O cavalo do seu desenho tem pernas excelentes.”

“Tem cinco.”

Jonah estudou o papel. Uma das linhas que julgara ser um mourão de cerca se ligava inequivocamente ao cavalo. “Um cavalo ambicioso.”

Lily soltou uma risadinha na colher. Ele amava aquela risada específica, a que escapava antes que ela voltasse a ficar sensata. Queria uma casa onde houvesse mais espaço para aquele som. O desejo não parecia desleal a ninguém, o que era novo o bastante para deixá-lo cauteloso.

Lavaram a louça juntos. Ela enxaguava, espirrando água só moderadamente, enquanto ele secava. Na hora de dormir, escolheu um livro sobre uma menina que construíra um barco com coisas que os outros tinham jogado fora. Na metade da leitura, Lily parou de corrigir as vozes dele. Jonah terminou a página que ela não ouviria, pousou o livro e ficou à porta até diminuir a necessidade de conferir a respiração da filha.

Lá embaixo, limpou a farinha do balcão. O telefone tocou enquanto sacudia o pano do lado de fora. A mãe de Beth perguntou sobre a fotografia, depois sobre a quinta-feira. A irmã dela viria almoçar; Lily podia ficar até depois do jantar em vez de ele buscá-la às quatro?

“Claro. Sabe que ela gosta da sua irmã.”

“Minha irmã gosta de alguém que acredita em todas as histórias dela.”

Acertaram o horário. Jonah perguntou se ela precisava que trocasse a lâmpada da varanda quando fosse lá, e ela lhe disse que já fizera isso sozinha. Ele pediu desculpas por ter presumido. Ela riu, sem maldade.

“Ainda pode devolver a escada. Fazer uma coisa não quer dizer que estou me oferecendo para subir no telhado.”

Quando desligou, ele ficou parado com o pano na mão. Os outros faziam pequenos ajustes ao redor dele havia anos, dando-lhe escolhas que às vezes confundia com obrigações a recusar. Podia começar a reparar no que de fato pediam. A mãe de Beth queria a escada. Lily queria a fotografia. Ada queria suas horas contabilizadas. Nada daquilo exigia que se tornasse um homem completamente diferente antes da manhã.

O recibo de Ada estava junto das outras contas. Ele registrou a despesa corretamente, depois anotou a vistoria do dia seguinte no calendário. No quadrado abaixo, acrescentou o dentista, a entrega de ração e a hora de buscar Lily na casa da avó na quinta-feira. Obrigações comuns. Podia fazer tudo aquilo e ainda querer rever uma mulher.

Seu telefone guardava a mensagem de Cal confirmando as horas de planejamento de Ada. Jonah a leu e pousou o aparelho com a tela para baixo. Não pedira que ela trabalhasse de graça. Não prometera à filha uma presença permanente. Não fora inspecionar terreno que não tinha qualificação para avaliar.

Por uma tarde, conseguira deixar um pouco de espaço em volta da própria certeza.

Saiu para fechar o galinheiro. O pátio esfriava, as colinas desbotavam até a cor da casca de pão que tinham dividido. Moth o seguiu sem entusiasmo. Na porteira, Jonah apoiou a mão na travessa de cima e pensou em Ada sentada à sua bancada de trabalho, recusando-se a apressar um conserto porque alguém talvez quisesse dizer que estava pronto.

A feira talvez precisasse mudar. A semana dele já mudara. Podia se ressentir da primeira enquanto admitia que queria a segunda.

Amanhã teria que deixar alguém caminhar ao seu lado.

Espere — O local da feira é incerto. Está cada vez mais difícil deixar para trás o rancheiro que respeita suas mãos.

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Dúvidas

Antes de você se apaixonar.

Que relação esta história acompanha?

Romance M/F adulto com um cowboy pai solo, uma heroína habilidosa e um casal original de história completa.

Como a intimidade é apresentada?

Beijos sensuais e intimidade adulta implícita de porta fechada; sem detalhes sexuais gráficos.

Esta história conclui seu próprio arco?

Um final feliz completo para Ada e Jonah.

Passe adiante.

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