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Três Cowboys, Um Caminho para Casa — Romance de cowboy grátisGrátis · Exclusiva

Romance de cowboy grátis

Três Cowboys, Um Caminho para Casa

Oito cavalos precisam de uma saída. Três cowboys querem um lugar no coração dela — e ela quer cada um deles.

Suspense romântico de faroeste adulto why choose com uma transportadora independente e três parceiros masculinos.

Beijos e tensão sensual; intimidade posterior fora de cena, sem detalhes sexuais gráficos.

  • Harém Reverso
  • Três Cowboys Protetores
  • protagonista competente
  • Evacuação por Incêndio
  • Lar Encontrado

🌶️🌶️ Cerca de 87 min de leitura · 20.117 palavras

Quatro anos antes de Seus três cowboys, a transportadora independente Tess Morrow tem uma regra: manter o negócio só dela. Então uma evacuação a deixa presa com três homens que ela passou meses tentando não desejar. Levar os cavalos a salvo exige os quatro. Escolher um lar juntos exige algo mais corajoso.

Livros de Alisson Bento

Seus três cowboys

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O Cavalo que Não Queria Partir

TESS

Junebug apoiou um casco na rampa, olhou direto para o meu rosto e decidiu que o futuro podia esperar.

“Somos dois”, falei.

Atrás de mim, Jon Mercer riu. O som percorreu o teto do trailer e voltou quente, o que era uma injustiça da acústica. Eu chegara a Juniper Draw com um cronograma profissional, a papelada em ordem e o plano de parar de imaginar como aquela risada soaria contra o meu pescoço. Já estávamos doze minutos atrasados.

“Ele sabe que você trouxe os biscoitos errados”, disse Jon.

“Ele não ganha biscoito para embarcar.”

“Eu quis dizer os meus.”

Junebug moveu uma orelha na direção dele. Meu cavalo cinza gostava de Jon. Gostava também de baldes e de gente que deixava comida cair, então tentei não atribuir significado àquilo.

Eli Navarro estava do outro lado da rampa, olhando para o chão em vez de para o cavalo. Usava o avental de ferrador sobre o jeans, o cabelo escuro preso para trás, um pequeno prego de latão enfiado atrás da orelha. Ergueu uma mão, pedindo que eu esperasse, e se agachou ao lado da dobradiça inferior.

“Seu tapete está dobrado por baixo.”

Olhei. Uma borda estreita havia se enrolado no ponto em que a rampa encontrava o chão, formando um pequeno lábio preto. Nada dramático. O suficiente para mudar uma superfície conhecida sob os cascos de um cavalo cauteloso.

“Eu conferi em casa.”

“Aqui o chão é diferente.”

Não havia acusação nenhuma. Eli alisou o tapete, se afastou e esperou enquanto eu pedia a Junebug mais uma vez. Dessa vez o cavalo cheirou a rampa, suspirou diante da minha incompetência e entrou.

“Traidor”, sussurrei na crina dele.

Prendi-o em seu lugar e conferi a divisória antes de sair. Rafe Caldwell segurava a porta externa contra o vento. Ombros largos, camisa de trabalho desbotada, a aba do chapéu sombreando a expressão que ocupara noites demais das minhas insônias recentes. Ele observou minhas mãos enquanto eu fechava a trava, depois olhou para mim.

“Você está bem?”

“Meu cavalo tem um olho melhor para detalhes do que eu.”

“Ele é pago em aveia. A sua tarifa é mais alta.”

O humor de Rafe vinha tão raramente que sempre parecia algo que ele havia feito para mim. Era outra injustiça. Entre os sorrisos pequenos e particulares dele, a atenção de Eli e a total ausência de vergonha de Jon ao flertar, eu passara quatro meses me tornando menos sensata do que jamais fora aos vinte e dois anos.

Aos vinte e nove, com meu próprio negócio de transporte e um caminhão que consumia mais dinheiro do que uma pequena prefeitura, eu deveria ter mais juízo do que me apaixonar por três homens no mesmo rancho.

Eu não tinha me apaixonado. Cair era um acidente. Eu tinha me visto caminhar até ali de olhos bem abertos, aceitando xícaras de café pelo caminho.

“Traga-o de volta para fora”, disse Rafe. “Hoje vamos só conferir. Ninguém sai ainda.”

“Eu sei do cronograma.”

O olhar dele se firmou no meu. “Sei que sabe.”

A distinção afrouxou alguma coisa no meu peito. Eu já ouvira muitos homens dizerem que uma mulher competente era uma lufada de ar fresco, até o momento em que ela discordava deles. Rafe tinha discutido comigo sobre pressão dos pneus, sobre o piso e sobre se um cliente atrasado merecia desconto. Nunca parecera surpreso por eu saber o que estava fazendo. Quando estava errado, dizia, sem esperar aplausos.

Isso tornava consideravelmente mais difícil manter uma paixonite segura e controlável por ele.

Descarreguei Junebug. Eli saiu do caminho sem encostar na minha corda. Jon se apoiou na cerca e segurou o portão. Não havia nada de extraordinário em três homens facilitarem meu espaço de trabalho. Meu corpo parecia decidido a discordar.

O rancho se estendia por uma dobra seca de terra de contraforte além da rodovia nove, uma longa cavalgada distante das luzes e do barulho público do rodeio do condado. O fim do verão deixara o capim pálido. O início do outono trouxera vento sem a chuva de que precisávamos. Depois da serra mais distante, uma mancha marrom e chapada pairava contra o céu.

Fumaça.

Ela estava ali ontem também. Um incêndio distante, monitorado, ainda não na nossa estrada. Olhei para ela, depois para o portão, depois para o espaço onde eu poderia manobrar a carreta se precisasse sair depressa.

Rafe seguiu meu olhar.

“A saída sul está livre. Mudamos o velho tanque de água ontem.”

“Ótimo.”

“Eu percorro o trajeto com você quando terminarmos aqui.”

Ele não disse que eu estava me preocupando. Sabia que eu sempre conferia o caminho de saída antes de relaxar. Meu pai uma vez nos estacionara de frente para um portão de gado trancado, com uma égua doente no trailer atrás de nós. Por fim, saímos. Mas nunca esqueci o que aquele “por fim” custou quando algo vivo esperava.

Jon empurrou o chapéu para trás. “Eu disse a ele que você ia reparar no tanque.”

“E ele tirou do lugar mesmo assim?”

“Péssimo hábito. Fazer coisas úteis antes de você chegar para elogiá-lo.”

Rafe lhe lançou um olhar. Jon sorriu. Eli tirou o prego de trás da orelha e o guardou numa lata antes de se aproximar de Junebug. Os três se conheciam havia anos, tinham trabalhado juntos em safras ruins, lesões, decisões tolas que não explicariam sóbrios. Eu sabia o bastante para invejar a facilidade entre eles, e o bastante para não confundi-la com a história inteira.

Não eram irmãos. Eu perguntara logo no começo, antes que minha imaginação virasse um risco público. Rafe administrava Juniper Draw. Eli alugava uma oficina ali e viajava para atender clientes. Jon cuidava do gado, treinava cavalos jovens e de vez em quando montava nos eventos do condado, quando o joelho e o bom senso concordavam. Nenhum dos dois tinha poder de veto suficiente para tornar isso frequente.

Dividiam uma casa porque gostavam um do outro, tinham dinheiro para isso e, ao que parecia, haviam decidido que uma mulher com opiniões melhoraria o lugar.

Eu escolhera ouvir essa última parte como piada.

Eli pediu para ver a pata dianteira esquerda de Junebug. Entreguei-lhe a corda porque ele pediu, e o observei passar a palma da mão pela perna do cavalo antes de erguê-la. Trabalhava sem pressa. O animal se encostou nele com a confiança descarada de uma criatura que nunca precisara explicar por que a gentileza o deixava nervoso.

“Algum problema na estrada do condado?”, Rafe me perguntou.

“Um caminhão de entrega discutindo com um mata-burro. Mais nada.”

“O alerta no celular chegou enquanto você dirigia?”

Tirei o aparelho do bolso. Um aviso regional, sem ordem de evacuação para a nossa área. Mantenham as vias livres, preparem-se para mover o gado se as condições mudarem. Fazíamos exatamente isso desde ontem. Meu contrato de dois dias era conferir o esquema de transporte do rancho e, amanhã, levar quatro cavalos a um cliente mais a leste. Junebug viera comigo porque eu confiava nele para demonstrar um embarque tranquilo, uma estratégia de negócios que ele acabara de sabotar por ter padrões.

“Não vou fazer a viagem longa até sabermos mais”, falei.

“A decisão é sua.”

“O cliente não vai gostar.”

“O cliente pode não gostar em algum lugar com ar limpo.”

Jon assentiu, solene. “Isso devia constar nas suas faturas.”

Eu ri. Rafe pareceu satisfeito antes de se virar, uma pequena abertura no rosto que eu preferia não ter visto. Desejar um homem teria sido inconveniente. Desejar os três me fazia sentir como se eu tivesse entrado no sonho de outra pessoa e esquecido por onde se voltava a ser comum.

Conferimos as carretas. A minha primeiro, depois a de Rafe: portas, travas, pneus, divisórias, reserva de água. Eli anotou o que precisava de atenção. Jon trocou uma correia esgarçada em vez de anunciar que provavelmente aguentaria. Rafe segurou uma roda firme enquanto eu verificava uma válvula e, quando me levantei depressa demais sob o compartimento aberto, a mão dele surgiu entre minha cabeça e a quina de metal.

Parei com os nós dos dedos dele a dois centímetros da minha têmpora.

“Você já fez isso antes”, falei.

“Bater a cabeça? Com frequência suficiente.”

Ele baixou a mão. Eu queria que a deixasse ali, o que era impossível de explicar como gratidão por prevenção de acidentes.

O lápis de Eli parou. Ele tinha visto. Jon também, se o silêncio súbito e pensativo atrás de mim queria dizer alguma coisa. Voltei-me para o compartimento e passei um tempo desnecessário verificando uma fivela.

“Tess”, disse Jon.

“O quê?”

“Você pode olhar para a gente.”

“Estou trabalhando.”

“Eu notei.”

Algo na voz dele me fez virar. Já não estava provocando. Rafe se afastara para nos dar espaço; Eli fechava o caderno, sem fingir que a conversa nada tinha a ver com ele.

Por um segundo aterrorizante, achei que tinham decidido me confrontar por ser um constrangimento. Quatro meses de almoços, de trabalho dividido, de demoras na cozinha depois que o serviço terminava. Eu aceitara um contrato de longa distância para a semana seguinte porque precisava de uma semana em que nenhum deles pudesse me estender uma caneca e fazer meu corpo inteiro ter esperança.

“Sinto muito”, falei.

A expressão de Jon mudou. “Pelo quê?”

“Se deixei as coisas estranhas.”

Rafe se aproximou, mas não a ponto de me encurralar contra o trailer. “Você não criou nada que a gente já não estivesse sentindo.”

Fiquei olhando para ele.

Eli guardou o caderno no bolso. “Devíamos terminar as conferências. Depois conversar num lugar onde você não esteja segurando uma chave inglesa.”

Olhei para baixo. Eu havia apertado os dedos em torno da ferramenta até o metal deixar marcas na palma.

“Provavelmente é sensato.”

O sorriso de Jon voltou, mais suave que antes. “Já me disseram que isso acontece de vez em quando.”

Terminamos. Ninguém tentou preencher os vinte minutos seguintes com uma declaração da qual eu não pudesse escapar. Isso era quase pior. Rafe trabalhava ao meu lado como se não tivesse acabado de mudar a forma de todas as tardes que eu passara ali. Eli anotou uma luz de reposição. Jon levou Junebug de volta ao cercado sombreado e me chamou para aprovar a posição do balde d’água, uma cortesia ridícula que me deu tempo de respirar.

Fiquei junto à cerca depois que Jon se afastou. Junebug baixou o focinho em meu cabelo e soprou cheiro de feno no alto da minha cabeça. Ele nunca fora discreto com o afeto. Eu também o invejava por isso.

Meu celular guardava a confirmação da viagem longa da semana seguinte. Bom dinheiro. Várias noites fora, uma rota que eu conhecia, clientes que não perguntariam por que eu passara a corar sempre que um peão segurava uma porta. Abri a mensagem e conferi as datas de novo. A viagem era trabalho de verdade, que eu queria; o alívio que senti ao aceitá-la era outra coisa. Eu podia manter a primeira sem deixar que o segundo decidisse tudo.

Eli veio até a cerca com um balde em cada mão. Colocou-os no chão em vez de me pedir que carregasse um antes de saber se eu ia ficar.

“Você tem aquela viagem ao norte semana que vem”, disse ele.

“Primeiro a leste. Depois ao norte.”

“Certo.” Esperou. “Você vai voltar por aqui?”

“Depende das reservas.”

“Estou falando de depois.”

Olhei para ele. Eli sabia fazer uma pergunta tão baixinho que a única defesa possível era responder a pergunta errada. Eu vinha fazendo isso havia semanas, contando a ele a quilometragem quando perguntava se eu estaria em casa para o almoço.

“Ainda não decidi.”

Ele assentiu. Nenhum suspiro decepcionado, nenhum sorriso para me convencer. Pegou os baldes.

“Eu gostaria que você voltasse.”

“Porque tem trabalho?”

“Tem trabalho, você venha ou não.” Os olhos dele sustentaram os meus. “Eu gostaria que voltasse porque sinto sua falta quando você está longe.”

O cavalo se mexeu atrás de mim. Inclinei-me na grade, grata por algo sólido que não exigia resposta.

“Você nunca tinha dito isso.”

“Você nunca ficou parada tempo suficiente.”

Devia ter soado como crítica. Ele disse com um afeto tão simples que eu ri, e a coisa assustadora no meu peito se afrouxou o bastante para abrir espaço para uma resposta.

“Vou tentar ficar parada no jantar.”

“Eu agradeceria.”

Ele levou os baldes embora. Eu o vi se afastar, lembrando cada vez que confundira o silêncio dele com indiferença porque era mais fácil do que ter esperança. O celular escureceu na minha mão. Guardei-o sem cancelar o trabalho e sem usá-lo como uma porta para sair correndo.

Então o vento mudou.

O cheiro de fumaça veio primeiro, uma amargura seca sob os odores comuns de cavalo e terra quente. Olhei para a serra. A mancha marrom havia engrossado. Rafe pegou o celular. Eli foi até o rádio do celeiro. Jon parou no meio de uma piada.

O rancho não se tornou um desastre naquele momento. O sol ainda brilhava. Junebug bebia ruidosamente. Uma mosca pousou no meu pulso, e eu a espantei. Mas eu sentia o dia ganhar um gume, tudo o que havíamos conferido se transformando em algo de que logo talvez precisássemos.

Rafe falou com um coordenador local que conhecia do trabalho com gado. Ouvimos a parte dele da conversa sem interromper. O fogo havia se deslocado dentro da área maior. Nossa zona continuava sob aviso. Devíamos estar prontos para partir, não esperar a última luz do dia para começar a procurar cabrestos.

“Oito”, disse Rafe ao desligar. “Temos oito aqui, contando Junebug. Dois trailers de quatro cavalos. Espaço suficiente, sem paradas extras.”

Assenti. “Faça uma lista.”

Eli já estava escrevendo. Aster, Copper, Millie, Rowan. Junebug, Mica, Penny, Comet. Nomes de seres vivos, não números num mapa. Conferi cada um contra os animais nos currais. Uma égua velha, um baio jovem que achava que cordas eram brinquedos, dois cavalos de pensão mansos, meu cinza, uma égua nervosa, um alazão, um pônei confiante demais. Estavam todos ali.

“Os donos?”, perguntei.

“Eu ligo”, disse Jon.

“Diga a eles para onde vão se a gente sair. Não só que vamos dar um jeito.”

“Sim, senhora.”

Ele disse sem piada dessa vez, e o calor me atravessou exatamente no pior momento. Virei-me para o celeiro antes que algum deles pudesse ler meu rosto.

Lá dentro, o ar estava mais fresco. Eli estava ao lado do rádio com a cabeça inclinada para ouvir. Rafe trouxe um mapa. A voz de Jon chegava de fora, calma e cálida, enquanto ele dizia a uma dona ausente que a égua dela estava bebendo e tinha lugar no trailer. Eu já ouvira homens chamarem proteção de promessa. Aqueles homens faziam parecer saber qual cavalo entrava por qual porta.

Rafe abriu o mapa sobre um baú de ração. Mostrei a rota que eu preferia, a curva onde uma carreta longa precisaria de mais espaço, a alternativa que eu tomaria se o entroncamento fechasse. Ele ouviu. Eli marcou o número da fazenda receptora ao lado da estrada. Ligamos para confirmar vaga antes de tratar um plano a lápis como um lugar real aonde ir.

A mulher que atendeu tinha espaço na arena coberta e nos currais de baixo. Ligaríamos de novo antes de sair. Anotei o nome dela, Mae Bell, no caderno. Nada de romance nisso, disse a mim mesma. Só trabalho.

Então Rafe levantou os olhos para mim.

“Jantar aqui esta noite.”

Ergui uma sobrancelha. “Uma ordem?”

O olhar dele sustentou o meu. “Um convite mal formulado.”

“Vindo de você?”

A porta se abriu atrás dele. Jon entrou, com as ligações para os donos terminadas. Eli se recostou no baú, a expressão quieta e inteiramente atenta.

“De todos nós”, disse Rafe.

Meu coração fez algo constrangedor. Eu era capaz de enfiar um animal de meia tonelada num trailer estreito, discutir tarifa com um homem com o dobro da minha idade e conduzir uma carreta por uma cidade construída por gente que nunca previra raios de curva. Não tinha resposta preparada para ser desejada num lugar onde ninguém parecia achar que meu desejo era demais.

Então fiz a pergunta prática.

“O que tem para o jantar?”

Jon sorriu. “Eu esperava que você chegasse a essa parte.”

O Homem no Portão

RAFE

Eu tinha cadeiras suficientes. Esse não era o problema.

O problema era Tess parada na minha cozinha com um pão enfiado debaixo do braço, olhando para a mesa como se escolher um lugar pudesse comprometê-la com algo que ela não tivera tempo de avaliar. Jon pusera quatro pratos. Eli tirava uma forma do forno. Eu devia estar pegando copos num armário que abrira sem lembrar por quê.

“Vinho?”, Jon perguntou a ela.

“Não, se talvez a gente precise dirigir.”

Ele devolveu a garrafa sem abri-la. “Chá. Água. Minha personalidade efervescente.”

“Água parece confiável.”

“Você me fere.”

Ela sorriu. Eu queria aquele sorriso à minha mesa com tamanha urgência que fiquei junto ao armário até confiar em mim para me mover.

Eu tinha trinta e quatro anos. Já lidara com gado difícil, contas ruins e homens que viam a data do pagamento como oportunidade para interpretação criativa. Sabia dizer a um dono que o plano favorito dele era tolo e segurar um portão contra um animal em pânico sem pensar se parecia competente. Tess deu um passo para dentro da minha cozinha e eu virei um homem com medo de lhe entregar o copo errado.

Eli me salvou. Pegou os copos e pôs um em cada lugar. Tess escolheu a cadeira com vista livre para a porta dos fundos. Eu a deixara para ela. Ela reparou na toalha de prato dobrada sobre o assento de madeira, olhou para mim e disse obrigada tão baixinho que os outros talvez não tivessem ouvido.

O quadril dela ficara machucado numa divisória de trailer na semana anterior. Ela não reclamara uma vez sequer. Mudara a forma de se sentar, e isso bastara para eu ir procurar a toalha.

O jantar foi frango, batatas, o pão que ela trouxera e a tentativa de Jon de nos convencer de que as cenouras tinham ficado mais doces porque ele as cortara. Eli disse que ia mandar as cenouras incluírem isso nas referências delas. Tess riu dentro do copo d’água.

Falamos sobre o fogo, porque evitá-lo teria encolhido a sala. Tínhamos um destino confirmado se precisássemos partir, duas carretas funcionando e combustível suficiente para chegar lá sem esperar pela bomba do rancho. Os avisos não tinham mudado. Os celulares ficaram sobre o aparador, com o volume alto o bastante para os alertas. Depois falamos de outras coisas, porque o perigo não merecia todos os minutos disponíveis antes de chegar.

Tess descreveu um cliente que reservara um pônei como bagagem. Jon quis saber se o pônei havia pagado a taxa de excesso. Eli perguntou o que Tess dissera ao cliente. Escutei-a montar a história com as mãos, uma mulher capaz de tornar engraçado um dia ruim sem fingir que ele não lhe custara nada.

Eu a queria desde a primeira semana. Não porque ficava bem encostada numa cerca, embora ficasse. Mas porque ela se recusara a sobrecarregar um trailer quando um dono impaciente agitou dinheiro diante dela, e depois subira na cabine e chorara onde achava que ninguém veria. Ela precisava do dinheiro. Dissera não mesmo assim. Eu lhe levara café sem dizer que sabia das lágrimas.

Desde então eu achara motivos demais para fazer café.

Depois do jantar, Jon atendeu uma ligação da irmã. Eli foi ver Mica, que não gostava da mudança no ar. Tess levou os pratos até a pia e começou a lavá-los antes que eu pudesse lhe dizer que era visita.

“Você cozinhou”, disse ela. “Eu posso fazer isso.”

“O Eli cozinhou.”

“Então você pode secar.”

Peguei o pano. Ficamos lado a lado enquanto a água morna corria por suas mãos. Uma mecha de cabelo escapara do coque na nuca. Eu sabia exatamente onde ela tocaria se Tess se virasse para mim, um saber inútil que me ocupava mais do que devia.

“Você pode ficar esta noite”, falei.

O prato parou de se mover.

“No quarto de hóspedes”, acrescentei. “Se preferir ficar perto de Junebug, com os avisos.”

“Tenho um quarto em casa.”

“Eu sei.”

“É só uma viagem de carro.”

“Isso eu também sei.”

Ela pôs o prato no escorredor. “Estou tentando entender o que você quer dizer.”

Larguei o pano. “Quero dizer que você tem um lugar aqui, aconteça ou não alguma coisa entre nós.”

A cabeça dela se voltou. “Nós.”

“Você e eu. Você e os outros. Qualquer parte que queira discutir primeiro.”

Ela olhou para a janela escurecendo. Esperei. Era mais difícil do que dar ordens. Ordens eram simples. Aquilo exigia que eu a deixasse ir, se ir fosse o que ela precisava.

“Você acha que estou confusa?”, perguntou.

“Não.”

“Porque estou, um pouco. Não quero fazer vocês competirem.”

Sequei as mãos, embora não houvesse água nelas. “Jon está apaixonado pela sua risada há meses. Eli sabe de que lado você carrega a bolsa de ferramentas. Não me surpreende que você tenha reparado neles.”

“E você?”

“Eu sou o idiota que esperou você reparar em mim.”

Ela fez um som assustado. Olhei para ela e vi que era quase uma risada.

“Rafe.”

“Não disse que era inteligente.”

“Reparo em você toda vez que passo pelo portão.”

A sala se estreitou ao espaço entre a pia e a minha mão. Ela estava perto o bastante para eu alcançá-la sem mexer os pés. Mantive as mãos no balcão.

“Não vou pedir que pare de querer os outros”, falei.

“Consegue prometer isso comigo parada aqui?”

“Consigo.”

“E mais tarde?”

“Mais tarde talvez eu precise dizer que estou com medo. Ou com ciúme de tempo. Ou sendo um tolo. Isso não me dá o direito de encolher o seu mundo até ele caber em mim.”

Ela apertou os lábios. Odiei como parecia perto das lágrimas, e me obriguei a ficar quieto em vez de tentar resolver tocando nela.

“Eu nunca fiz isso”, disse.

“Eu também não, assim.”

“É uma resposta alarmante.”

“Posso lhe dar uma mentira tranquilizadora, se preferir.”

“Prefiro algo com que eu possa trabalhar.”

“Então estamos os dois aprendendo.”

Ela respirou fundo e soltou o ar devagar. Pela porta dos fundos aberta, ouvi Eli falando com a égua, paciente como a chuva que não viera. A voz de Jon subia da sala da frente, rindo de algo que a irmã dissera. Os homens em quem eu confiava para as piores partes de um dia de trabalho estavam fazendo suas próprias noites. Eu teria que falar com eles também. Havíamos admitido a atração entre nós, sem jeito, sem fingir que isso nos desse algum direito sobre Tess. Qualquer coisa além disso pertencia a quatro pessoas, não a um plano feito por três.

“Posso dizer uma coisa egoísta?”, perguntei.

“Por favor. Seria uma mudança em relação a você tentar me empurrar um quarto de hóspedes sem querer nada.”

Ela me pegou nessa. “Quero que fique porque gosto de ouvir você nesta casa. Quero beijar você porque penso nisso desde que nos conhecemos. Uma coisa não é condição da outra.”

Ela se virou por inteiro para mim. As mãos ainda estavam molhadas. Uma gota escorreu pelo pulso, se prendeu no punho da manga e sumiu. Tive o pensamento absurdo de que me lembraria daquela gota quando fosse velho.

“Pergunte”, disse ela.

Minha garganta apertou. “Posso beijar você, Tess?”

“Pode.”

Movi-me devagar o bastante para que ela pudesse me deter. Os dedos dela agarraram a frente da minha camisa antes que minha boca alcançasse a dela, e todas as coisas pacientes e sensatas que eu vinha dizendo a mim mesmo se espalharam pelo chão da cozinha.

Ela era quente. Foi meu primeiro pensamento coerente. Boca quente, mãos molhadas contra meu peito, um pequeno som que ela tentou conter quando a puxei mais para perto. Pus uma mão na cintura dela e a outra no balcão às suas costas, deixando-lhe espaço para recuar. Ela usou esse espaço para chegar mais perto.

Beijei-a de novo porque uma vez já não era uma quantidade imaginável. Ela ergueu o rosto, confiando-me o ponto macio sob o queixo sem me pedir que o tomasse. Passei a boca ali e senti os dedos dela se apertarem.

“Rafe.”

Parei. Não porque ela pedira, mas porque meu nome na voz dela quase levara o que restava do meu juízo.

A testa dela repousou no meu peito. Ficamos respirando como gente que fez trabalho pesado. Lá fora, a porta de tela rangeu. Olhei por cima da cabeça dela e vi Eli na beira da varanda.

Ele olhou para Tess, depois para mim. Sem piada. Sem um recuo que transformasse nosso beijo em algo vergonhoso. Esperou até que ela levantasse a cabeça.

“A Mica se acalmou”, disse. “Estou fazendo café, se algum dos dois quiser.”

A mão de Tess se apertou na minha camisa. Cobri-a por um instante.

“Já vamos.”

Eli assentiu e entrou pela outra porta. Olhei para ela.

“Eu piorei as coisas?”, sussurrou.

“Você criou algo honesto.”

“Será que ele…”

“Pergunte a ele.”

Ela sorriu então, pequena e corajosa. “Certo.”

Deixei-a ir primeiro. Isso importava. Eu queria que ela soubesse que eu podia abraçá-la sem transformar a soltura numa discussão.

Sentamos à mesa enquanto Eli servia o café. Tess escolheu um lugar entre nós dessa vez, já não na ponta. Jon entrou, deu uma olhada e abriu um sorriso de uma felicidade desprotegida demais para ser encenação.

“Eu escapo de uma rodada de lavar louça.”

“Você costuma escapar”, disse Eli.

Tess riu. Depois contou a eles que me beijara, caso alguém se sentisse obrigado a fingir que não percebera. Jon disse que esperava que chegássemos a isso. Eli disse que estava contente por ela ter querido. Nenhum dos dois tentou transformar a generosidade num pedido pela própria vez.

“Ainda não sei o que estou oferecendo”, disse ela.

Jon se recostou, deixando o sorriso suavizar. “Você pode descobrir.”

Eli girou a xícara pela alça. “Devemos todos dizer o que queremos dizer. Sem jogos de adivinhação.”

“Isso inclui você”, disse Tess a ele.

Os olhos dele subiram para os dela. “Eu sei.”

Fiquei imóvel enquanto algo novo e frágil tomava seu lugar à mesa. Eu imaginara querê-la como algo que carregaria sozinho. Compartilhar a verdade disso não fez o desejo menor. Fez a casa parecer que tínhamos aberto uma janela num cômodo que esquecêramos estar abafado.

Jon achou um lápis e começou a desenhar no verso de um recibo de compras. Tess observou a mão dele.

“O que está fazendo?”

“Tentando desenhar seu rosto sem ser óbvio.”

“Você é péssimo.”

“Em ser sutil, sim.”

Ele deslizou o recibo pela mesa. Era um cavalo, com uma expressão de dignidade ofendida, e uma mulher ao lado segurando uma chave inglesa absurdamente grande. Tess riu tão de repente que quase derramou o café. Eu não sabia que Jon desenhava até ele começar a deixar pequenos esboços na geladeira no inverno passado. Um talento que ele desprezaria se alguém o chamasse assim. Ela estudou o papel como se ele merecesse atenção, e vi o rosto brincalhão dele ficar por um momento desprotegido.

“Posso ficar com ele?”, perguntou.

Ele olhou para a xícara. “Claro.”

Eli empurrou o açucareiro ao alcance dela. “Ele desenha um melhor se você pedir.”

“Esse é um Junebug muito bom.”

“Eu falava da chave inglesa.”

Rimos, e o riso nos deu um jeito de sentar com a verdade sem transformá-la num exame. Tess enfiou o recibo na capinha do celular. Jon a observou fazer isso. Eu trabalhara ao lado daquele homem no calor, na fome e diante de uma cerca quebrada sob um vento capaz de descascar a pele. Nunca o vira parecer tão cuidadosamente satisfeito.

Então Tess perguntou o que aconteceria se um de nós mudasse de ideia.

Ninguém respondeu depressa. Pareceu um começo decente.

“Ele teria que dizer”, falou Eli por fim. “E o resto de nós ouviria. Isso não faria de você algo que dividimos para manter a paz.”

Jon assentiu. “Não me ofereço para ser quem sobrar quando os outros estiverem ocupados.”

Tess olhou para ele, assustada.

“Quero que você me queira”, disse ele. “Eu, sendo um incômodo ali do outro lado. Não só a casa e o conjunto prático de homens que vem com ela.”

“Quero”, disse ela.

Os dedos dele pararam na borda rasgada do recibo. A admissão saíra rápido demais para que ela a preparasse, e ela corou, mas sustentou o olhar dele mesmo assim.

“Gosto dos seus desenhos”, continuou. “E do jeito que você torna as partes difíceis engraçadas sem rir de alguém por ter medo. Quero saber como você é quando para de deixar a sala fácil para todo mundo.”

Jon engoliu em seco. “Provavelmente um estorvo.”

“Então vou descobrir.”

Eli olhou para as próprias mãos como quem lhes dá privacidade. Vi o esforço que isso também custava. Cada um de nós precisaria da sua própria resposta; cada um teria que suportar que os outros recebessem as deles. Não era um arranjo indolor que nos declarássemos maduros o bastante para dominar. Era um trabalho que eu queria porque todos à mesa importavam.

“E se isso levar tempo”, falei, “o quarto de hóspedes continua sendo um quarto de hóspedes. Você não paga o jantar resolvendo os nossos sentimentos.”

Tess olhou para mim, depois ao redor da mesa. “Eu gostaria de acreditar nisso.”

“Observe o que fazemos”, disse Eli.

Ela assentiu. Recolhemos as xícaras. Jon guardou o lápis, Eli fechou o armário do rádio sem desligar os alertas, e eu pus a chave reserva da porta onde Tess pudesse vê-la. Uma conversa pode prometer muito. Eu queria que a próxima coisa pequena que fizéssemos mantivesse a sua parte.

Tess ficou no quarto de hóspedes. Dei a ela a chave da porta dos fundos e mostrei o interruptor no alto da escada. Jon achou uma escova de dentes nova ainda na embalagem. Eli pôs o carregador do celular dela na mesa do corredor depois que ela mencionou que o seu estava no caminhão. Nenhum de nós entrou no quarto depois que ela fechou a porta.

Dormi mal. Não por me arrepender do beijo. Mas porque ainda sentia a mão dela na minha camisa, e porque cada rajada lá fora me fazia pensar se o aviso mudara.

Antes do amanhecer, levantei, conferi os alertas e percorri os currais de baixo. A fumaça pendia mais longe pela serra do que durante o jantar. Junebug estava com o focinho voltado para a casa, provavelmente esperando Tess ou o café da manhã. Mica andava pela cerca, inquieta de novo. Falei com ela até que parasse, depois voltei para pegar o celular.

Jon já estava na cozinha, de botas, o cabelo arrepiado de um lado. Eli estava no rádio. Tess desceu a escada de jeans e um moletom emprestado, o celular aceso na mão.

O alerta soou nos quatro aparelhos em questão de segundos.

Evacuação obrigatória para a nossa zona. Usem a rota sul designada. A movimentação do gado deve começar agora.

Tess olhou para mim. A mulher que eu beijara ainda estava ali, mas a postura mudara. Pés firmes, ombros eretos, toda a atenção na próxima coisa útil.

“Oito cavalos”, disse. “Duas carretas. Seguimos a lista.”

Peguei as chaves. “Você comanda a ordem.”

Espere — A ordem chega antes do amanhecer. Oito cavalos. Duas carretas. Não há mais tempo para evitar o que eles querem.

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Seus três cowboys

Da série Fronteira dos corações selvagens

Um romance de cowboy sobre uma mocinha, mais de um mocinho devotado e nada de escolher.

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Dúvidas

Antes de você se apaixonar.

Que relação esta história acompanha?

Suspense romântico de faroeste adulto why choose com uma transportadora independente e três parceiros masculinos.

Como a intimidade é apresentada?

Beijos e tensão sensual; intimidade posterior fora de cena, sem detalhes sexuais gráficos.

Esta história conclui seu próprio arco?

Um arco de relacionamento completo para a heroína original e os três cowboys.

Passe adiante.

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