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As Horas Antes Do Amanhecer — romance de vampiros grátisGrátis · Exclusiva

romance de vampiros grátis

As Horas Antes Do Amanhecer

Ada tem menos de uma hora para manter um desconhecido vivo. Descobrir por que alguém quebrou o teto da estufa levará muito mais tempo — assim como confiar no próprio coração.

  • vampiro e humana
  • Proximidade Forçada
  • Slow Burn
  • Heroína Competente
  • Novo Pertencimento

🌶️🌶️ Cerca de 22 min de leitura · 5.015 palavras

Ada Solis restaura vitrais no turno da noite e gosta de trabalhos que permitem reconstruir o que se quebrou. Quando uma claraboia danificada encurrala o patrono mais antigo da estufa pouco antes do amanhecer, ele pede algo mais estranho que discrição: um cômodo sem sol. A aliança dos dois revela um painel roubado, uma história falsa e um antigo curador com uma venda marcada. Ada pode ajudá-lo a sobreviver à manhã. Escolher um futuro com ele exigirá outra coragem.

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O Céu Partido

Às quatro e dezessete da manhã de terça-feira, alguém quebrou o céu acima da bancada de Ada Solis.

O som veio em duas etapas: um guincho metálico no lanternim leste, depois a queda terrível, quase musical, do vidro. Ada pousou o ferro de solda, desligou-o e se afastou da bancada. Cacos tilintaram além das portas internas trancadas da estufa. As palmeiras tremeram como se uma ave grande tivesse pousado entre elas.

— Fique onde está — disse um homem.

Ada pegou os óculos de proteção.

— O senhor está embaixo da parte quebrada.

Lucan Marr ergueu os olhos. Ela o conhecia da placa de bronze dos doadores e de três inspeções noturnas: casaco escuro, mãos bonitas, o jeito de quem sabia esperar um artesão terminar uma frase. Apertava um desenho dobrado contra o peito. Acima dele, uma seção inteira do teto se abrira, inclinada. O contrapeso pendia de um cabo cortado.

— Eu percebi — respondeu.

Sua serenidade teria sido tranquilizadora se ele não estivesse observando a linha pálida das janelas orientais com um terror tão exposto.

— Está ferido?

— Ainda não.

A saída de emergência além das palmeiras dava para o pátio leste. O caminho para o oeste, até a entrada principal e a rua coberta, passava sob o lanternim danificado. Para Ada, era um transtorno que exigia botas e uma vassoura. Lucan parecia calcular um preço muito maior.

— O sol nasce às cinco e onze — disse ele. — Preciso chegar a um cômodo interno antes disso. Sem janelas. Com uma porta que feche por completo.

Ele olhou para a saída do pátio.

— Meu abrigo diurno fica do outro lado do estuário. Eu devia ter saído para a última balsa noturna às quatro. Pela estrada, até de carro são noventa minutos. Um táxi comum não impede a entrada da luz do sol.

Ela o encarou. Aos trinta anos, Ada sobrevivera a um teto desabando e a patronos demais que confundiam dinheiro com conhecimento técnico. Aquele pedido era novidade.

— Se essa é uma maneira elaborada de pedir para ver a coleção…

— É uma maneira constrangedora de pedir ajuda.

Ele tirou uma luva. No dorso da mão havia uma cicatriz antiga, em forma de chama estreita. Não se aproximou.

— A luz direta do sol me queima. O vidro não a detém. Nuvens não tornam a exposição segura. Por favor, não teste essa afirmação.

Ada pensou nos encontros sempre à noite, na recusa dele a entrar na sala ensolarada durante a última recepção dos conselheiros. As coincidências suportavam um peso surpreendente antes de ceder.

— Vampiro — disse ela, porque obrigá-lo a fornecer a palavra pareceria mais cruel.

— Sim.

A parte prática da mente dela chegou antes que a parte assustada pudesse se organizar.

— Consegue andar?

— Muito depressa.

— Então pode esperar enquanto verifico o caminho. Nada de heroísmo debaixo de vidro suspenso.

Ligou para o número noturno da manutenção, deixou um aviso sobre o teto e acionou o alarme do prédio na central de monitoramento. Depois pegou a luminária de inspeção da oficina. O corredor de serviço oeste estava seco e desimpedido; seu teto baixo conduzia ao arquivo de pedra sob a oficina. Ela verificou a veneziana do arquivo, a dupla curva do duto de ventilação, a porta maciça. Nenhuma luz entrou quando apagou a luminária.

Ao voltar, encontrou Lucan exatamente onde o deixara.

— Você acreditou em mim? — perguntou ele.

— Acreditei que estava com medo. O resto pode esperar.

Ela o conduziu para o oeste. Na escada do arquivo, ele ofereceu a mão para ajudá-la a se equilibrar, depois se conteve e a abaixou. Ada usou o corrimão. Ainda estava decidindo a que distância queria manter um vampiro.

Lá dentro, ele se apoiou pesadamente num armário de fichas. O desenho escorregou. Ada o pegou antes que tocasse o chão: uma garça azul, com as asas abertas sobre raios de vidro âmbar.

Ela assinara um relatório de estado de conservação daquele painel no dia anterior. Segundo o relatório, ele estava seguro no depósito.

Um Cômodo Sem Manhã

Ada pôs o desenho sobre uma mesa vazia, longe das caixas do arquivo. A lâmpada fluorescente zumbia acima deles. Lucan olhou para a lâmpada, depois para o rosto de Ada.

— Luz artificial é inofensiva — disse. — E a luz da lua também. É o sol que eu não consigo enfrentar.

— Bom saber. Seria um pouco difícil pesquisar nesta sala à luz de velas.

Ela ouvia o mar nos encanamentos antigos do prédio, uma sucção distante à medida que a maré virava. Em algum lugar acima deles, um motor parou. Ninguém chegaria antes do turno de Fran, às oito, a menos que a manutenção atendesse cedo.

— A porta precisa ficar trancada? — perguntou Ada.

— Só fechada. Você precisa poder sair.

Ele colocou a chave do arquivo na mesa entre os dois. O gesto afrouxou alguma coisa atrás das costelas dela, embora mantivesse o telefone ao alcance.

— Precisa saber que não caço pessoas — acrescentou ele. — Um serviço particular fornece sangue de doadores. Não vou lhe pedir nada.

— Exceto hospedagem.

— Uma quantidade desarrazoada dela.

A boca dele se moveu, quase num sorriso. Ada percebeu aquilo com uma precisão inconveniente.

Mandou uma mensagem a Fran: Emergência no teto. Sr. Marr abrigado no arquivo, sem ferimentos. Ligue antes de abrir. Depois enviou outra, pedindo que Fran incluísse Ruth Ansel, presidente da fundação, no registro da ocorrência. Lucan viu os nomes na tela.

— Ruth sabe — disse ele. — Sobre mim. Fran, não.

— Explico o teto a Fran. Você pode explicar a si mesmo, se quiser.

Ele assentiu. Estava ficando mais lento, cada movimento deliberado. Manter-se acordado de dia o esgotava, explicou, embora pudesse fazê-lo se necessário. Tinha cento e sessenta anos. Não, não podia se transformar em morcego. Não, não podia obrigá-la a esquecer.

— Essa última é um alívio considerável.

— Para mim também. Prefiro que acreditem em mim por vontade própria.

Ada sentou-se diante dele. O desconhecido de meia hora antes se tornara alguém tentando não perguntar se ela ficaria.

— Por que estava aqui tão tarde? — perguntou.

Ele olhou para o desenho.

— Vim comparar isto com a garça. Ruth autorizou. Quando era curador, Simon Vey me disse que o painel era uma réplica moderna. Ontem um negociante me enviou uma fotografia de catálogo que me fez duvidar dele.

Vey se aposentara em março. Ada lembrava os sapatos lustrosos ao lado de suas botas empoeiradas, a insistência dele em que restauradores não precisavam se preocupar com registros de propriedade.

— Ele assinou a transferência para o depósito — disse ela. — Vi o caixote ontem.

— Você viu o painel lá dentro?

Não vira. Aquela distinção ignorada se alojou nela como uma farpa. Sua assinatura certificava o estado externo do caixote, nada mais, mas ela se permitira presumir o resto.

— Fique aqui — disse. — Vou fotografar a etiqueta. Não vou abrir nada sozinha.

Na área de carga trancada, o caixote estava onde ela lembrava. Sob a ficha de inventário interno, aparecia o canto de outra etiqueta. Ada fotografou as duas sem mexer na fita adesiva. Fotografou também o lacre e o carrinho vazio ao lado.

De volta ao andar de baixo, ampliou a imagem. A etiqueta encoberta trazia o nome Harrow Auction Rooms, armazém alfandegado, lote quarenta e um. Visitação na sexta, venda no sábado. A garça da fotografia do catálogo tinha uma pequena pena branca na garganta.

Assim como a do desenho de Lucan.

Acima do teto de pedra, a primeira gaivota da manhã gritou.

Espere — A garça desaparecida está à venda esta semana. Alguém já embalou a verdade.

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